O programa Fantástico, da Rede Globo, mostrou em sua edição de ontem (27/09) casos de homotransfobia em um conhecido colégio do Rio de Janeiro. O dois casos aconteceram no Instituto Pio XI, instituição católica.

O primeiro caso se refere a transfobia. Segundo a família de Dylan Sepulvida, os professores em diversos momentos se recusaram a adotar o nome social, chegando a se referir ao aluno como número de chamada ou até mesmo usando o nome batismo.

Quando ingressou no colégio, em 2018, Dylan já fazia acompanhamento multidisciplinar. Mas, no ano passado começou seu processo de transição. Sua mãe, Marjorie, então comunicou o colégio que marcou uma reunião com a psicóloga. Os problemas começaram nesse momento.

Segundo Marjorie, a psicóloga chegou a insinuar que a vestimenta da mãe poderia ter levado o filho a o que a profissional chamou de “falta de referência de vaidade feminina”.

Mas o constrangimento seguiu dentro de sala. Apesar da boa aceitação dos colegas de turma, segundo a família, os professores passaram a fazer a chamada apenas por números. Segundo a família, até mesmo em momentos que não eram a chamada, os professores se referiam ao Dylan apenas pelo número.

Chamar pelo nome fala quem é você. Um número é simplesmente um número.

Dylann Sepulvida, em entrevista ao Fantástico, explicando que se sente constrangido ao ser chamado apenas por um número

Depois, com a insistência da mãe, os professores chegaram a retornar para a chamada nominal no fim do ano passado. Mas, no início de 2020, os professores passaram a chamar Dylan pelo nome de batismo. Foi então que os pais registram queixa por transfobia. Segundo a polícia, as investigações estão em andamento.

Em nota para a produção do programa, o Instituto Pio X1 afirmou que reconhece que falhas “não intencionais” aconteceram, que está se adaptando a lei e fazendo todos os esforços para acolher o estudante.

O comportamento preconceituoso dos profissionais do Instituto Pio XI não se limitou a este caso. Uma outra família, que não conhece a da Dylan, acusa o colégio do Rio de Janeiro de homofobia.

Yan Petronillo afirmou a reportagem que foi xingado por professores repetidas vezes. Até mesmo em dois documentos oficiais enviados ao Conselho Tutelar, professoras usaram a palavra “afeminado” para descrever o comportamento do estudante.

Meu jeito de ser incomodava elas. Não tem motivo.

Yan Petronillo sobre preconceito das professoras

A denúncia ao conselho foi arquivada uma vez que os responsáveis não detectaram nenhum problema na família. Os pais de Yan estão processando o colégio por danos morais, mas o promotor do caso disse que não há porque a instituição pagar. Em sua decisão afirmou que “a menção ao comportamento afeminado não foi utilizada com intuito vexatório”. O caso agora está no Tribunal de Justiça do Rio.

Até mesmo agora, anos depois dos fatos, a representante legal do colégio do Rio de Janeiro em entrevista ao Fantástico utilizou o termo “afeminado” ao se referir ao que ela chama de comportamento do Yan para chamar a atenção.

A repercussão nas redes sociais foi imediata, com inclusive ex-alunos do colégio afirmando que o preconceito que antes era velado agora se tornou escancarado. Lamentável!

Foto: Reprodução TV

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